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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Crianças e Museus


Recentemente li este artigo «Como educar uma criança para gostar de museus»*, que podem consultar em:
* Texto publicado originalmente em inglês, no site Family Time, da National Geografic.

Antes de qualquer comentário convido-vos a lerem. Para pais, educadores ou familiares com crianças, um dia no museu pode ser um programa divertido e também educativo para os mais pequenos (e para os mais crescidos).
Uma vez que o artigo apenas refere instituições museológicas internacionais, vamos adaptar um pouco a oferta e mostrar dois ou três exemplos nacionais de locais/museus onde pode levar os mais pequenos.

1. Leve em conta o que eles querem
O seu filho ama dinossauros? Exposições temporárias sobre esta temática estão sempre a acontecer (ex: no Museu da Eletricidade e na Alfandega do Porto ou no Palácio de Cristal).
Quer ser veterinário? Museu Nacional de História Natural e da Ciência -Museus da Universidade de Lisboa e Museu da História Natural da Universidade do Porto.
Quer ser técnico de saúde? Museu da Farmácia – Lisboa; Casa Museu Bissaya Barreto – Coimbra.
Quer ser escritor? Casa Museu Camilo Castelo Branco – Vila Nova de Famalicão; Casa Museu Egas Moniz – Aveiro.

2. Repense como é o passeio em um museu
«Paredes, teto, portas… Tudo isso é para ser levado em conta quando você está procurando uma experiência museológica».
Fundação de Serralves – Porto; Citânia de Briteiros – Guimarães; Mosteiro de Santa Clara a Velha – Coimbra.
«E mesmo nas suas caminhadas diárias, considere procurar arte na arquitetura em torno de você, isso pode transformar o significado que o “ir para o museu” tem para seu filho.»
Centro Histórico de Guimarães, Centro da cidade de Aveiro… passeie a pé pelos centros das cidades, assim não apanha trânsito, caminha e admira a envolvência.
«Deixe o seu filho adolescente tirar selfies». Nos espaços onde é permitido, assim irá perdurar a lembrança de uma visita/passeio.

3. Mantenha interativo
«É a maneira infalível de tocar o coração das crianças, mas exposições interativas deixará as crianças maiores (e os pais) entretidos, também. Muitos de nós, jovens e menos jovens, aprendem melhor através do toque e de jogo. Procure por museus que incentivem a interação.»
Museu do Côa
Lisboa Story Centre

«Não tem certeza se seus filhos gostam de arte? »
Museu da Miniatura Automóvel – Serra da Estrela ; Museu da Marioneta – Porto; Centro Português de Fotografia – Porto.

«Os centros de ciência são sempre um sucesso com as crianças. »
Centro Ciência Viva da Floresta – Proença a Nova; Exploratório Infante D. Henrique – Coimbra; Centro de Ciência Viva do Algarve.

4. Comece enquanto eles ainda são jovens
«Museus também podem ser incríveis experiências de ensino para as crianças mais velhas começarem a compreender alguns aspetos menos lisonjeiros da humanidade.»
Museu de Arte Contemporânea - Santo Tirso; Museu D. Diogo de Sousa – Braga; Centro Interpretativo da Batalha – Batalha.

5. Vá embora cedo
«Este é o segredo para qualquer coisa.» Assim vão querer mais.
Faça a você mesmo esse favor e não tente percorrer todo o museu em uma única tarde. Escolha algumas exposições e siga em frente muito antes das crianças pedirem isso.

Notas:
As universidades nacionais apresentam muitos espaços museológicos com muito interesse e temáticas muito diversificadas. Consultem os sites oficiais para encontrarem mais informações.
Os sites das Câmara Municipais são, talvez, os mais atualizados e onde podem encontrar as informações necessárias para um dia de passeio.
Os exemplos referidos são apenas isso, exemplos. Em Portugal existem imensos museus, o INE reúne os números dos Museus Nacionais mas as instituições museológicas particulares são muitas e com espólio riquíssimo.


segunda-feira, 4 de março de 2013

Património em Foco, na FLUC



 Uma sessão organizada pelo Instituto de Historia da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Realizou-se no dia 1 de Março, dia em que a Universidade celebrava o seu 723.º aniversário.

A sala destinada para este evento foi pequena para tantos participantes que se viram encaminhados para o Teatro Paulo Quintela.



Os oradores foram Jorge Custódio, que do seu imenso currículo destaco a passagem pelo Museu Ferroviário, pelo Mosteiro de Alcobaça e o trabalho incrível como comissário da exposição 100 anos de Património – Memória e Identidade e Ana Paula Amendoeira doutoranda em Paris, investigadora do Centro de Estudo Arqueológicos da Universidade de Coimbra e do Porto e, por fim, presidente do ICOMOS.

 
A apresentação de Jorge Custódio intitulou-se «Etapas da História do Património em Portugal». Destaco algumas frases provocativas do historiador quando referia a importância dos historiadores e do estudo da história e como esta é transversal a todas as áreas, ensinos e setores sociais: «não somos nós um veículo no nosso ADN?», «somos passado, presente e futuro» e ainda nós «somos portadores de cultura».
Referiu as diferentes atitudes face ao património que passaram pelo vandalismo até à salvaguarda ou mesmo à preservação. Referiu as questões de datação que apesar de flexíveis no tempo são influenciadas por questões políticas e sociais adjacentes.

Como base para o seu estudo e trabalho para a exposição dos 100 anos de Património Jorge Custódio identificou 12 elementos que ajudam a circunscrever as questões patrimoniais:

1.       herança

2.       condições históricas

3.       estado base das atitudes

4.       sistema de proteção vigente

5.       conjuntura patrimonial internacional

6.       consciência patrimonial

7.       sistema de valores

8.       instituições especializadas

9.       instrumentos de proteção

10.   instrumentos de salvaguarda

11.   instrumentos de gestão

12.   transmissão

Apesar das questões do património serem um motivo para comparações ao nível europeu, apesar da equivalência das etapas do património com questões politicas e apesar de toda a organização e máquina montada em prol do património Jorge Custódio conclui: «Ainda há desnorte!».


A apresentação de Ana Paula Amendoeira intitulou-se «Do Património ao Património Mundial: um percurso geopolítico para um conceito de dominação». Esta apresentação resultou de uma investigação que se encontra a desenvolver atualmente, na qual teve a oportunidade de contactar com documentação inédita e que pode vir a mudar a visão do património, das suas definições e da sua origem.

O conceito de Património da ONU e da UNESCO foi, na sua origem, demasiado simplista uma vez que o objetivo passava por instalar e garantir a paz cultural. No que defende Ana Paula Amendoeira o conceito de desenvolvimento cultural foi inserido pelos EUA e foi a ideia subjacente a determinados discursos políticos que contribuiu para o desenvolvimento do património tal como hoje é conhecido.

O presidente H. Turman, em 1979, diz num discurso que era preciso cuidar dos países que saiam do colonialismo. Cuidar desses países passava por desenvolver os mesmos para que se pudessem equiparar a países desenvolvidos. O conceito de «Património Mundial» é uma invenção americana, encontrada nos textos de discurso produzidos pelos presidentes Nixon e Johnson.

A oradora defende que os dados com que tem vindo a contactar, documentos inéditos do arquivo do conselho de Washington, datados de 1967, revelam que a Unesco não foi a responsável pela origem do termo Património Mundial, mas por outro, repescou o termo dos discursos americanos. Discursos estes que teorizavam as noções de património mundial, como tendo na sua origem o apoio ao desenvolvimento de países novos, que se viam sem os colonizadores.

Nos anos 80, a UNESCO tinha efetivamente a intenção de criar uma «Cruz Vermelha do Património em Perigo» uma organização de apoio e salvaguarda de equipamentos vítimas de inundações e outros flagelos naturais. Este projeto da Unesco e do ICOMOS teve discussão prévia com representantes americanos que fizeram vencer o termo «Património Mundial».

A classificação de um local a Património Mundial é outra questão com influências politica muito demarcadas. A influência americana foi abalada com a entrada da Palestina na UNESCO, uma entrada que os Estados Unidos tentaram travar.

E nisto a discussão que tinha deixado parte da assistência em choque e ainda a digerir toda a informação nova, em primeira mão, muda ligeiramente e inicia-se o debate relativo à classificação de determinados locais pela Unesco. Também a Universidade de Coimbra se encontra com um processo de candidatura da Universidade a Património Mundial, mas outros locais simplesmente não pretendem esse título, apesar de todas as características que reúnem, pelo simples facto de não pretenderem perder aquilo e o que os faz serem diferentes.
É do conhecimento geral que os locais classificados pela Unesco registam um forte aumento ao nível turístico, um crescimento de receitas, aumento dos investimentos hoteleiros entre outros.
Este foi o mote deixado no ar e que impulsionou o debate com a assistência.

 
Do debate reiteramos algumas opiniões:
Ana Paula Amendoeira dizia «há um conflito entre a Unesco que prima pela visão turística e das receitas que confronta com o ICOMOS que prima pelo valor da conservação e da salvaguarda»

O responsável pela candidatura da Universidade o Doutor Raimundo Mendes da Silva reforçava que o importante com estas candidaturas era o que se poderá fazer com eles e os efeitos colaterais.
Jorge Custódio propôs alguma cautela quando se refere a origem do termo património mundial. Sugerindo mesmo uma maturação da ideia, contudo concordou que o património é consensual e pode, por isso, ser aproveitado politicamente.

 
Termino esta espécie de relato, defendendo a casa que me formou e me ajudou a crescer. Sublinhando palavras da Prof. Doutora Luísa Trindade adotadas pelo presidente da Faculdade de Letras Prof. Doutor Carlos Ascensão André «A história da Arte ainda mexe!».
 
Fonte das imagens, por ordem de apresentação das mesmas:

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ócio, Lazer e Tempo Livre nas Culturas Contemporâneas


Ócio, lazer e tempo livre nas Culturas Contemporâneas foi o tema do III Congresso Internacional em Estudos Culturais, que teve lugar na Universidade de Aveiro, nos dia 28 e 29 de Janeiro do presente ano de 2013.
A organização deste congresso ficou a cargo do programa doutoral em Estudos Culturais, da Universidade de Aveiro e Minho.
Toda a informação sobre o congresso, desde o programa até à organização, constam no site: http://ociocultura.web.ua.pt/
Como participante atrevo-me a fazer um balanço pessoal que, como sempre, gosto de partilhar com todos os que seguem os 5 minutos de arte.
Confesso que nunca tinha pensado no ócio, diretamente, como um tema de investigação quer no campo histórico, literário e até ao campo da psicologia (áreas que também estiveram representadas no congresso). Pensei no turismo e no lazer, como tal submeti a minha comunicação relativa às «Termas de Vizela, um espaço de saúde, de turismo e de lazer», mas foi também um espaço de ócio, de nada fazer para fazer algo por casa um ou pelo outro.
Na verdade existem grupos de investigação do ócio em Portugal, em Espanha e no Brasil, para falar dos países representados no congresso. Da mesma forma também existem programas de financiamento de investigação nestas áreas, para enunciar apenas alguns exemplos recordo alguns nomes mencionados por Cristina Ortega, na Universidade de Deusto, o Horizon 2020, Europe Aid e Creative Europe.
Desafio todos a pensarem um bocadinho sobre este tema e deixo-vos com a minha conclusão, do artigo escrito para o congresso:
«O termalismo nacional passou por diversas fases, nomeadamente o seu período de crescimento e desenvolvimento, entre 1890 e 1930, uma fase de declínio, entre os anos 30 e 70 do século XX e na atualidade apresenta um novo capítulo de rejuvenescimento e atualização.
O momento de ir a banhos não se cingia apenas a isso. Efetivamente o tempo passado no balneário era muito curto, o resto do dia era passado no comércio local, nos espaços desportivos, no parque termal, entre passeios, conversas e festas.
A «vita nouva» nas localidades termais contagiava todos os públicos, entre eles os locais e os que se deslocavam às termas por períodos de 7 a 14 dias. Os aquistas, ou termalistas, um pouco por toda a europa contavam com diversos divertimentos à sua disposição sempre que iam às termas.
É conveniente destacar que os polos termais eram em simultâneo polos de desenvolvimento comercial, económico, turístico e social. Exemplo disso mesmo foi a situação do jogo retratada em Vizela; as dinâmicas desenvolvidas pela junta de Turismo e ainda os reforços policiais requeridos na época alta para que os aquistas se sentissem em segurança.
Considera-se que o termalismo nacional apresenta, na atualidade, várias mudanças positivas a destacar:
a)      o público termal está em mudança, nele inserem-se variadas faixas etárias;
b)      os espaços termais apresentam-se renovados e mais atrativos;
c)      os balneários termais oferecem soluções de fins-de-semana, retiros e miniférias, mais acessíveis e que atingem um público mais alargado;
d)      vários espaços termais nacionais sofreram remodelações profundas e transformações que os reconfiguraram em spa/termal e depois de contactar os respetivos grupos conclui-se que os níveis de ocupação são elevados;
e)      Vizela apresenta uma unidade termal em melhoramento e reconversão, tem ainda um hotel, integrante do grupo termal que apenas aguarda por obras de melhoramento;
f)       a cidade foi selecionada para integrar o grupo de cidades Slow citties pela qualidade de vida que ostenta;
g)      o imóvel do balneário termal é um símbolo de atratividade arquitetónica que aliando a novas valências e tendências artísticas pode tornar-se uma mais-valia.
Respondendo às questões levantadas pela organização pensa-se que o ócio tem, efetivamente, lugar na sociedade atual, pelo simples motivo que todos necessitam de nada fazer para ter tempo para fazer alguma coisa, neste leque pode inserir-se uma ida ao parque termal, às compras ou mesmo às termas.
O termalismo e as experiências de contexto termal extravasam a área do balneário e dos banhos. Por esse motivo o termalismo é uma área de desenvolvimento turístico, de expansão económica, de lazer e passeio».