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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Paço dos Henriques – Alcáçovas



Depois de assistir a uma notícia relativa a património português classificado e degradado, quase a cair, decidi investigar algo que, honestamente, não conhecia – O Paço dos Henriques, Alcáçovas.


Procurei na internet, e imagens quase não existem, procurei por termos em dicionário e enciclopédias e pouca informação recolhi, excluindo o contexto histórico que a ele deu origem.
Devo repetir o que li muitas vezes e que devemos salientar o Tratado de Alcáçovas foi o embrião do Tratado de Tordesilhas.


E imagens? Testemunho para guardar para o futuro? Pouco encontrei.
As imagens que anexam este artigo estão publicadas num outro blog, de um residente em Viana do Alentejo e que vê diariamente este património degradado, destruir-se mais um pouco todos os dias.

Mas coloca-se uma questão ainda mais importante: para quê classificar se não se preserva ou conserva?


Ter património único e tão invejado quando não se mostra, não se rentabiliza para poder conservar. Sim, já todos sabemos que o país está em crise e que não há dinheiro para muita coisa, então para o património e para a cultura é impensável gastar um cêntimo que seja. Mas é possível investir agora na conservação do edifício, recuperá-lo para não se perder, e publicitá-lo enquanto existe e não quando já for ruínas.
Possivelmente a minha ideia é muito básica ou idealista, mas dada a complicação e emaranhado de coisas pouco claras em que estamos envolvidos, mais vale ser prática, clara e positiva para que não se perca mais detalhes que formam a identidade portuguesa.


nota: imagens retiradas de http://porterrasdoalentejo-bruno.blogspot.com/2009_11_08_archive.html

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Colégios da Rua da Sofia - Coimbra

O texto seguinte faz parte de um trabalho de investigação desenvolvido no âmbito de um estágio para a Câmara Municipal de Coimbra.

As instituições denominadas colégios, sempre existiram por toda a Europa, estes anexavam-se às Universidades Medievais. O mesmo se passou em Portugal, inicialmente ao longo da Rua de Sofia vários Colégios e Conventos ergueram-se com vista a criar nesta rua uma espécie de “campus” universitário. Após a transferência da Universidade para Coimbra, algumas destas instituições deslocaram-se para a alta, de modo a aproximarem-se do Paço Real.

Aos colégios concorriam alunos de todos os locais, chegavam com sede de aprender as artes liberais e as ciências. Concorriam a subsídios, doados quer pelos mosteiros, catedrais, monarcas ou ainda por particulares. Uma vez que voltavam para a terra natal encontravam-se aptos para ensinar. A vontade de troca de conhecimentos sempre foi muito praticável em Portugal, sabe-se que D. Sancho I, em 1190, concedeu subsídios para manter os religiosos a estudar em Paris.


Deste conjunto de 23 colégios conimbricenses todos eles eram administrados por um prelado, denominado Reitor, com a excepção do Colégio das Artes que o denominava Principal. Cada colégio regia-se por estatutos pessoais e regulamentares, sendo todos eles variáveis dado as prescrições que os estatutos da Universidade nomeavam. Esta comunhão de conhecimento era sentida também nos actos públicos, visto que aquando da existência de procissões ou celebrações solenes os reitores dos colégios eram também convidados a participar.

Do lado Norte/Este da Rua, nasciam colégios e edifícios destinados ao ensino, ligados naturalmente a ordens religiosas. Do lado poente os colégios de S. Boaventura e de S. Tomás, habitações para professores, funcionários, estudantes e o comércio cresceram com vista a responder às necessidades da comunidade estudantil.

Do novo processo de urbanização destaca-se a seguinte evolução (Vasconcelos, 1938):
- 1537 transferência da Universidade para Coimbra;
- 1539 o primeiro colégio toma lugar à sombra da Universidade, sempre com protecção e subsídios do rei D. João III;
- 1557 morre D. João III e Coimbra conta já com 14 colégios;
- Finais do século XVI, conta com 16 colégios;
- Finais do século XVII, conta com 20 colégios;
- Finais do século XVIII, conta com 23 colégios.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Tesouro arrepiante



Tenho o verdadeiro prazer de falar e mostrar a todos um pequeno tesouro, mas grande em singularidade.
Situada no concelho de Santo Tirso em S. Martinho do Campo, uma pequena capela conserva uma pintura em retábulo chocante.

Devo explicar o uso do termo CHOCANTE: a primeira vez que vi esta imagem devia ter uns 9 ou 10 anos e só me perguntava como era possível conceber uma imagem, uma pintura deste género.

A capela a que me refiro ostenta uma inscrição onde podemos ler «Luís Fernandez Prior de Roris Posuit - 1560», é portanto possível de concluir que foi uma obra mandada construir por um Prior de Roriz, Luís Fernandes. Dentro da capela contemplamos A imagem que absorve a atenção de todos e desvaloriza tudo o resto à sua volta.

Uma pintura de cores bastante básicas e envelhecidas: Cristo com 3 faces unidas numa só. Um Deus com 4 olhos, 3 bocas representativo do Pai, Filho e Espírito Santo. Para quem não percebe este jogo representativo, a pintura ostenta, na parte inferior, um esquema em latim que elucida esta ligação existente entre as 3 figuras.
Este retábulo ostenta mais duas imagens mas elas perdem a atenção em prol da central.

Não vou alongar mais a minha exposição, deixo as imagens que comprovam todas as palavras escritas e que ficaram por escrever.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Um livro é um mudo que fala…

Encontro-me num Centro de Estudos em part-time, neste centro existe um mural recheado de frases de grandes poetas, escritores e filósofos. Comecei a ler as frases e foquei em especial uma delas.

«Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive» é curioso como o seu autor – Padre António Vieira define um livro.

Não vou divagar, de forma dessecante sobre a frase, nem elaborar teoria enredadas para a justificar, vou antes tentar completá-la.

Pensando em alguns livros que já li, atrevo-me a enunciar mais qualidades que a leitura proporciona e que os livros nos ensinam a exercer…por este ponto de vista um livro não é apenas um mudo que fala, não é apenas um surdo que responde, não é só um cego que guia ou mesmo um morto que vive…

Um livro ensina-nos a respeitar a diferença
Mostra-nos culturas e sociedades
Revela-nos outras tradições
Reúne saberes
Descreve sabores
Num livro encontramos lugares
Conhecemos histórias
Apreciamos arte
Saboreamos cultura
Num livro degolamos letras
Montamos palavras
Construímos frases
Lemos estórias
Num livro aprendemos a falar
Sabemos responder
Conseguimos guiar
E aprendemos a viver

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Como seria a face da Vitória de Samutrácia?



Muitas vezes coloco esta questão mas nunca consigo chegar a uma conclusão.

Pensasse tratar-se da deusa Atena Nike e foi encontrada já no século XIX na ilha de Samotrácia no Mar Egeu. Em grego o seu nome é Nike tes Samothrakes.
Esta é sem dúvida a escultura grega que elejo como a minha predilecta. Talvez por estar incompleta, ou melhor por ter sofrido com a agressividade dos tempos e dos mares torna-se tão enigmática. Mesmo sem braços e sem cabeça não perde o encanto e o misticismo.

A sua forma corporal é tão perfeita… tão real que conseguimos sentir o vento que ondula as suas roupas. O vento que sopra contra o corpo da Vitória deixa adivinhar as suas formas femininas de deusa. Na minha opinião, muito humilde por sinal, o Museu do Louvre devia colocar fortes ventoinhas contra a Vitória para que sintamos no local a aragem forte que ajuda a esculpir a estátua.

Se o corpo revela uma mestria impar no tratamento o rosto não deveria ser menos imponente. Dada a perfeição da mão do artista, imaginar o rosto torna-se muito difícil mas aliciante. Porque não tentar desenvolver um rosto para um corpo inimitável? Fica a deixa…e o sonho…
Algumas obras defendem que a deusa está a pousar na proa do navio, daí a sua forma desequilibrada. Eu gosto de pensar que ela está a levantar voo, que possivelmente abriu as asas e está a impulsionar o corpo para se levantar, para visualizar o mar e controlar possíveis perigos que este possa a apresentar aos navegadores.

Ela salva e abriga os desesperados nas suas asas.
Ela equilibra o barco em altura de caos.
Ela luta com quem a enfrenta.
Ela suporta o vento e a tempestade.
Ela encanta com o voo.
Ele deveria ser a mais bela deusa do mundo.